Obama promete resposta a “profunda injustiça”

Presidente sob pressão para reagir. Protestos pela morte de Eric Garner continuam.

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O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou “mais passos” para assegurar “que todos os americanos têm confiança na polícia e que os agentes servem todos de igual modo”. Uma promessa que surge quando se mantêm os protestos pela decisão de um grande júri não acusar um polícia que matou um negro desarmado.

Obama já tinha anunciado algumas medidas incluindo a compra de 50 mil câmaras de filmar individuais para serem utilizadas pelos agentes. Activistas queixam-se de que estas não servirão o objectivo: no caso de Eric Garner a acção do polícia, que continuava com o braço à volta do seu pescoço apesar das queixas de Garner (“Não consigo respirar!”, avisava), não contribuiu para que o caso fosse a tribunal.

Após uma conversa com o presidente da câmara de Nova Iorque, Bill de Blasio, Obama prometeu mais medidas “para assegurar que todos os americanos têm confiança na polícia e que os agentes estão a servir todos de modo igual”. “Como temos visto, infelizmente, nos últimos tempos, demasiados americanos sentem uma profunda injustiça em relação à distância entre os nossos ideais e como as leis são aplicadas no dia-a-dia”, disse o Presidente.

De Blasio, cuja mulher é negra, tinha comentado recentemente a questão falando do próprio filho: disse como ele e a mulher tinham tido “literalmente de o treinar, como têm feito famílias nesta cidade durante décadas, para ter cuidado especial em qualquer encontro com agentes da polícia que existem para o proteger”.

Em Nova Iorque continuam protestos pela decisão de não levar o polícia a julgamento pela segunda noite consecutiva, e a polícia deteve cerca de 200 pessoas na noite de quinta-feira.

Uma task-force da Casa Branca irá ainda debruçar-se sobre como a polícia local está a ter acesso a armas pesadas vindas do exército, e antes usadas em cenários de guerra. Pressionado por jornalistas quanto a possíveis consequências concretas (demasiados grupos de estudo e recomendações de acção não têm qualquer seguimento), o porta-voz Josh Earnest disse que iria “haver resultados”.

O próprio Obama já se tinha queixado, esta segunda-feira: “Já houve comissões, já houve task-forces, já houve conversas, e não aconteceu nada.”

Há uma grande pressão sobre o Presidente para fazer mais, mas também se têm sublinhado os limites do primeiro Presidente negro dos EUA e do procurador-geral (equivalente a ministro da Justiça), Eric Holder (o primeiro afro-americano a ocupar este cargo), diz o Wall Street Journal.

Analistas sublinham que há um risco para o Presidente: ser visto como alguém que fala mas não faz. “Ele tem de falar sobre estas questões quando acontecem”, disse Brandon Rottinghaus, professor de ciência política na Universidade de Houston, ao Washington Times. “Mas de cada vez em que fala e não pode fazer nada sobre isso, faz com que pareça fraco. Se não conseguir mostrar algum tipo de movimento em termos de política mas continuar a ser forçado a falar, mostra-se um líder sem poder.”

A Casa Branca pondera ainda se Obama deveria visitar Ferguson ou Staten Island, onde ocorreram dois dos casos mais recentes de negros desarmados mortos pela polícia em que o agente não foi acusado. Uma fonte da Administração diz que por agora o foco é na acção e não numa visita.

Em Ferguson (Missouri), a decisão de um grande júri não acusar Darren Wilson, o polícia (branco, como a esmagadora maioria dos agentes da cidade de maioria negra), pela morte de Michael Brown, levou a protestos por vezes violentos, que se espalharam a várias cidades americanas. Em Staten Island (Nova Iorque), a mesma decisão levou ainda a mais protestos, sobretudo por se tratar de um caso em que a acção ofensiva do polícia é filmada, a reacção do suspeito também (“Não consigo respirar”, queixava-se Eric Garner, antes de morrer; “não consigo respirar”, repetiam os manifestantes em Nova Iorque).

A congressista democrata Marcia Fudge foi uma das vozes mais críticas da decisão de não acusar o agente: “Mesmo perante prova de vídeo, parece que não vai haver justiça para Eric Garner ou a sua família”, lamentou. “No período de duas semanas, esta nação parece ter ouvido uma mensagem alto e bom som: não haverá responsabilização por tirar vidas a negros. Como americana, está a tornar-se cada vez mais difícil de acreditar que haverá justiça para todos.”

Fonte: Publico Portugal

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Tensão em Ferguson continua com críticas a julgamento “injusto” e protestos e manifestações se espalham por cidades dos EUA

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Foto: El País

Alfonso Fernández.
Washington, 25 nov .- O advogado da família de Michael Brown, Benjamin Crump, criticou duramente nesta terça-feira o promotor responsável pelo caso e denunciou como “completamente injusto” o processo que deixou sem julgamento o policial Darren Wilson, que matou o jovem, o que provocou uma noite de graves distúrbios em Ferguson, um subúrbio de Saint Louis, no Missouri.
“Criticamos publicamente este processo, foi completamente injusto”, afirmou Crump em entrevista coletiva, acompanhado pelos pais de Michael Brown, o jovem que morreu baleado por Wilson em agosto quando estava desarmado.
A decisão do grande júri causou violentos distúrbios na noite passada na pequena cidade de pouco mais de 20 mil habitantes, que terminaram com mais de 80 detidos e vários estabelecimentos saqueados e queimados.
Crump bateu forte no promotor do condado de Saint Louis, Robert McCulloch, ao acusá-lo de ter mostrado pouco interesse em levar adiante a acusação de Wilson e não ter apresentado “os melhores argumentos”.
“Um estudante de direito teria feito melhores perguntas (que o promotor)”, disse o advogado da família sobre McCulloch, encarregado de ler o veredicto final ontem à noite.
Em agosto, quando foi anunciada a instalação de um júri para investigar o caso, alguns setores colocaram em dúvida a idoneidade de McCulloch para assumir a acusação, porque seu pai era policial e foi assassinado por um negro quando ele tinha 12 anos, e por sua atuação em 2000, em um caso semelhante ao de Ferguson.
“Nos opusemos a este promotor já em agosto, e desde então pedimos um promotor especial”, lembrou o advogado da família, que considerou que a decisão era um reflexo de um “sistema judiciário quebrado”.
O pai de Brown usava uma camiseta escrita “Sem justiça não há paz”, mas não deu declarações.
Ontem à noite, pouco após saberem que Wilson não seria processado pela morte de Michael Brown, os familiares do jovem afirmaram em comunicado que, apesar de estarem “profundamente decepcionados com a decisão judicial, responder a violência com violência não é a solução”.
O presidente americano Barack Obama fez uma declaração não programada na Casa Branca na qual pediu calma e que os manifestantes e a polícia mostrassem “contenção”.
Apesar desses pedidos, teme-se que os protestos, que se reproduziram durante o dia em outras cidades do país como Filadélfia, Baltimore, San Francisco, Chicago, Atlanta e Nova York, fiquem mais violentos durante a noite em Ferguson.

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Pessoas protestam em Nova York contra o arquivamento do caso de um policial que matou um jovem negro em Ferguson, no Missouri. (Foto: Eduardo Munoz / Reuters) Foto: G1

O governador do Missouri, Jay Nixon, ordenou o envio de mais soldados da Guarda Nacional à cidade com o objetivo de garantir a segurança, até que chegue a 2.200 agentes, e disse que não aceitará saques e ataques à propriedade privada.
“O propósito de destruição dos criminosos ontem à noite aterrorizou esta comunidade”, declarou Nixon aos jornalistas.
O prefeito de Ferguson, James Knowles, criticou a atuação de Nixon e disse que é “profundamente preocupante” o atraso na chegada da Guarda Nacional, porque agravou os distúrbios.
No sistema judiciário dos Estados Unidos o grande júri decide se há provas suficientes para apresentar acusações contra uma pessoa, e com essa decisão não haverá processo contra Wilson por esta via.
No entanto, a investigação do Departamento de Justiça que busca descobrir se houve violação dos direitos civis continua em um caso no qual convergem dois debates que sempre causam comoção nos EUA: a discriminação racial e a violência policial.

Fonte: ultimoinstante

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Justiça brasileira procura dinheiro em bancos no estrangeiro

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A investigação ao mega-esquema de corrupção na Petrobrás quer saber se houve dinheiro desviado para bancos de países como a Suíça, China ou Estados Unidos, noticia o Estado de São Paulo.

A justiça brasileira vai procurar nos bancos de países como Suíça, Alemanha, Holanda, China, Estados Unidos, Canadá, Peru e Uruguai dinheiro que possa ter sido desviado pelo esquema de corrupção na Petrobrás investigado pela operação Lava Jato, noticia esta sexta-feira o jornal Estado de São Paulo.

 De acordo com o jornal, por decisão do juiz já foram bloqueados em contas no Brasil 47,8 milhões de reais (cerca de 15 milhões de euros) em nome dos acusados e de empresas a eles ligadas, um valor que fica abaixo do previsto pelas autoridades.

As contas, refere o Estadão, pertencem a 14 executivos de construtoras que estão sob investigação, assim como ao ex-director de serviços da Petrobrás, Renato Duque.

O jornal noticia ainda que o ex-director da Petrobrás admitiu no depoimento à polícia federal ter recebido 1,6 milhões de reais (cerca de 500 mil euros), da construtora UTC por consultoria, noticiou o jornal Estado de São Paulo.

A UTC é uma das empresas investigadas sob suspeita de integrar o esquema, estando o seu presidente detido.

Fonte: Jornal de Negócios Portugal

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Para o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, juiz é Deus

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Foto: blogdolute.blogspot.com.br

 

Parece até brincadeira, mas não é. Tudo isto pelo que aconteceu no início do mês de novembro, quando uma agente de Trânsito da cidade do Rio de Janeiro, em uma blitz normal, fez parar um determinado cidadão, pedindo-lhe seus documentos e os do veículos, como sempre faz com qualquer pessoa comum e normal. O respectivo senhor, que estava com o documento do carro com vencimento em atraso, bem como estava sem a sua CNH, mostrou-lhe sua Carteira Profissional, alegando que “era juiz”, numa verdadeira “carteirada”, como se quisesse falar: “Sabe com quem está falando?”

Pois bem, a funcionária aplicou-lhe uma multa das mais certas, dizendo ao respectivo cidadão: juiz não é Deus.

E aí, caríssimo “cara-pálida”, houve um imbróglio daqueles. A respectiva funcionária, cujo nome é Luciana Silva Tamburini, foi enquadrada por “desrespeito a autoridade”, levada a Juízo, sendo condenada a pagar uma multa de indenização por “danos morais” ao respectivo cidadão “Deus”, de cinco mil reais.

Esta, não se conformando, apelou ao Tribunal de Justiça daquele Estado. Sabe o que aconteceu? O órgão superior da Justiça carioca, num verdadeiro corporativismo, confirmou a decisão da Instância singela, dando guarida, portanto, a um “contraventor” revertido de toga.

Daí fiquei pensando: e se todos os juízes do Brasil afora, estando sem nenhum documento, dirigindo um carro com documentação vencida, ao ser “barrado” em uma blitz, apresentando sua Carteira Profissional, afirmando: “Sou juiz, sou Deus” ficará tudo certinho?

A nossa Carta Magna nos diz que “todos são iguais perante a lei? Sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade conforme reza o seu artigo 5º.

Será que este juiz, cujo nome não se apresenta em nenhum noticiário, desconhece tal artigo da Constituição?

Razão devo dar àquela funcionária, Luciana, quando ao ficar sabendo da decisão do TJ do Rio de Janeiro, confirmando a sentença de um juiz do 1º grau, afirmou:

“Como cidadã, digo que fiquei enojada”.

E nós, queridíssimos caras-pálidas, o que vamos dizer a esta altura do campeonato?

Li, na semana passada, no Estadão, dia 10 de novembro deste ano, uma pesquisa para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no respeitante à imagem da Justiça brasileira. Sabe qual foi? Pois bem, veja só que vergonha:

A imagem da Justiça brasileira está em torno de 32% (trinta e dois por cento) de confiabilidade, arrasada, portanto, e esta descrença enervante é em vista de sua morosidade.

E vejam só, meus queridíssimos, o índice do Distrito Federal, onde mourejam aqueles que estão mais próximos do “crime organizado”, formado por uma cambada de mafiosos, constituídos de políticos interesseiros às causas próprias, partidos e outros agentes públicos, agentes econômicos despudorados, agentes financeiros inescrupulosos, que se uniram numa parceria públic-privada para pilharem o patrimônio do Estado, tal índice desceu á 16% (dezesseis por cento).

Só os acontecimentos gloriosos de malversação de dinheiro, numa pilhagem sem precedente na maior empresa nacional, a Petrobras, vai ultrapassar dez bilhões de dólares. É pouco, ou quer mais?

Agora, pelo visto, na operação Lava Jato, não só os “lambaris” foram fisgados, conseguiram enquadrar, também, alguns “tubarões”.

Mas aí vem a grande dúvida e incógnita.

Será que o Poder Judiciário punirá estes culpados?

Lembrem-se, não existe mais Joaquim Barbosa no Supremo Federal, para, com sua coragem, enfrentar a máfia instalada nos poderes da nossa Nação brasileira.

Dizem que Deus é brasileiro, mas pelo visto, e já decidido, Deus é juiz carioca. Pelo menos foi o que decidiu o Tribunal de Justiça daquele Estado.

O que fazer, caríssimo amigo?

Nós, brasileiros, tivemos uma grande oportunidade de “virar o jogo” nas eleições próximas passadas, mas pelo visto e acontecido, campeou a corrupção e a mentira no decorrer das mesmas e vamos ter que aturar do jeito que estão as “coisas” neste nosso País, que Pedro Álvares Cabral descobriu.

A operação Lava Jato conseguirá alguma coisa?

Os indiciados serão condenados? Por quanto tempo?

Olhem, os punidos do “mensalão” já estão soltos, ou estão cumprindo pena “domiciliar”, que é uma beleza pura.

E viva o Brasil!

(Orimar de Bastos, juiz de Direito aposentado, advogado militante em Caldas Novas, membro da Academia Tocantinense de Letras, ocupante da Cadeira n° 33 e membro da Academia de Letras e Artes de Piracanjuba-GO e Cidadão Calda-novense – E-mail: orimarbastos@yahoo.com.br)

Fonte: Diário da Manhã

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Abaixo assinado pede término do pagamento do “auxílio-moradia” para juízes federais e estaduais, promotores e procuradores do Brasil

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Atualmente, há 12.262 integrantes do Ministério Público e 16.429 juízes. Portanto, se for considerado o valor de R$ 4,37 mil, o custo da concessão de auxílio-moradia será de aproximadamente R$ 125,5 milhões por mês! Isso dá R$ 1,5 bilhão por ano!

Além disso esse dinheiro não precisa ser comprovado que está sendo usado para pagamento de moradia. Por ter caráter indenizatório (compensar despesa gerada pelo trabalho), não é cobrado Imposto de Renda sobre a verba.

Os gastos particulares de cada agente público, inclusive com moradia, devem ser custeados pela sua própria remuneração, que não é baixa.

Assine o abaixo-assinado acessando o link abaixo:

https://www.change.org/p/ministros-do-stf-anulem-o-aux%C3%ADlio-moradia-para-ju%C3%ADzes-promotores-e-procuradores-do-brasil?utm_source=action_alert&utm_medium=email&utm_campaign=184146&alert_id=NqffHedhOn_oNLCqy6BsJNYwIZ%2Brc3Otg9hTNoqk7Y%2Fyt3zsKKY1MY%3D

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“NYT”: Caso Eike Batista vai testar o criticado sistema judiciário brasileiro.

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Jornal do Brasil

O jornal americano The New York Times publicou nesta segunda-feira (17/11) uma matéria sobre o julgamento de Eike Batista, marcado para a terça, dia 18. O artigo de Dan Horch lembra a trajetória do empresário e fala sobre as particularidades da justiça brasileira. “Quando se trata de informações privilegiadas nos Estados Unidos, autoridades do governo construíram carreiras através de processos bem sucedidos. Fundos de retorno absoluto (as chamadas “hedge funds”) foram fechados, e reguladores ludibriaram até empregados mais abaixo na hierarquia que vendiam dicas confidenciais. Mas no Brasil, jamais alguém foi preso por causa de informações privilegiadas.

O artigo prossegue: “Porém, na terça-feira, Eike Batista, que um dia foi um dos homens mais ricos e famosos do Brasil, tem hora marcada para se defender no tribunal contra acusações de uso de informações privilegiadas e manipulação no mercado financeiro.

Muitos brasileiros vão seguir o caso de perto, não só para saber qual será o destino de Eike, mas também para  ver se o sistema justiça consegue se livrar de sua fama marcada pelos infindáveis atrasos e por sua leniência em relação aos que são acusados de crime do colarinho branco.

Promotores acusam Eike de vender ações da OGX, sua empresa petrolífera, depois de ter conhecimento prévio  sobre a falta de viabilidade econômica de alguns campos de petróleo importantes.

No esforço para condená-lo, os promotores também podem estar se esforçando para restabelecer a confiança nas instituições do país. A economia se encontra estagnada, a inflação está alta, e a seguidas investigações  da corrupção na gigante do petróleo Petrobras estão  chegando a instâncias mais elevadas do governo e grandes empresas.

A ira contra o sistema judicial está espalhada, com protestos nas ruas de todo o país no ano passado citando a “impunidade” dos ricos e poderosos”.

O caso de Eike pode ser um teste decisivo de quão rígidos os tribunais podem ser. A acusação alega que os atos de Eike causaram prejuízos de 1,5 bilhões reais (cerca de US$ 580 milhões) em prejuízos, que ele teria que reembolsar.Por anos, Eike Batista foi o símbolo do poder da crescente economia brasileira. Ele fundou e colocou seis empresas na Bolsa de São Paulo, e durante um tempo foi o homem mais rico do país, com uma fortuna de cerca de US$ 30 bilhões.

Investidores institucionais, incluindo as gigantes dos fundos de investimento Pimco e BlackRock, investiram em suas empresas. Os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a atual presidente Dilma Rousseff também deram apoio às companhias de Eike com cerca de 6 bilhões de reais (US$2.3 bilhões) em empréstimos subsidiados do banco estatal, o BNDES.

Os atuais problemas de Eike na justiça começaram em outubro de 2012, quando ele prometeu injetar um bilhão de dólares na empresa de petróleo que ele fundou, a OGX, se fosse necessário para seu gerenciamento.

Sua promessa fez com que as ações da empresa subissem por alguns meses, mas no mês de maio seguinte, ele começou a vender milhões de ações.

Em julho a empresa reconheceu que os campos mais importantes de petróleo eram economicamente inviáveis. Em seguida, em setembro de 2013, logo depois de vender milhões de ações a mais, a direção pediu US$1 bilhão, mas Eike alegou que uma mudança no plano de negócios da empresa o dispensou de cumprir seu compromisso.

No mês seguinte, a OGX deu um calote de US$ 5,8 bilhões em dívidas e registrou o que se tornaria a maior falência da história da América Latina. Desde então a empresa se reorganizou, e é possível que os credores afinal   recebam de volta uma parte do dinheiro que perderam, mas os acionistas sumiram.

O principal advogado de Eike, Sérgio Bermudes, não respondeu a emails e telefonemas pedindo algum comentário sobre o caso. Mas em documentos arquivados no tribunal, a defesa alegou que Eike não tinha informações privilegiadas sobre a inviabilidade dos campos de petróleo, e que vendeu apenas as únicas ações que podia vender legalmente, já que haviam sido comprometidas como efeito colateral de um empréstimo que foi feito.

Seus advogados também afirmam que ele manteve mais de 50% das ações da empresa até o final e perdeu mais do que qualquer um com a falência da empresa.

No meio da turbulência, Eike transferiu residências de milhões de dólares no Rio de Janeiro e em balneários vizinhos a sua esposa e seus filhos no que ele disse ser apenas um planejamento de espólio.

Se for condenado, Eike Batista poderá  pegar 13 anos de cadeia. Mas o histórico de julgamentos no país faz com que esse desfecho seja improvável.

“No Brasil, você pode pagar por bons advogados, você recorrer eternamente, frequentemente em tecnicalidades que só servem para adiar decisões,” disse Claudio Weber Abramo, diretor-executivo da Transparência Brasil, um grupo anti-corrupção.

O grupo de defesa de Eike Batista, que se reuniu na quinta-feira, apresentou um recurso alegando que a corte federal do Rio de Janeiro não deveria ter jurisdição e pedindo para que a audiência seja adiada. Um tribunal de segunda instância ainda não respondeu, logo, o julgamento de Eike Batista ainda está marcado para começar na terça-feira.

Mesmo depois que um tribunal emite um julgamento, a lei brasileira suspende a sentença enquanto está sendo apelada, e muitos casos podem ser levados à  Suprema Corte, com seus longos atrasos. Como resultado, até mesmo defensores que são condenados podem muitas vezes evitar de cumprir suas penas até que o estatuto de limitações os liberem do  julgamento.

Mas o caso de Eike Batista vem num ambiente mais adverso. O envolvimento de várias procuradorias, assim como grupos de advocacia representando credores e pequenos investidores, são novidades na investigação de crimes financeiros no Brasil.

Mesmo ser Eike for condenado, o caso pode não indicar uma mudança mais ampla no sistema judiciário.

“Se não fosse uma pessoa com a exposição que Eike  Batista tem na mídia, é possível que não teria existido uma ação penal, apenas uma ação civil,” disse Gilberto Braga, um professor de finanças na Ibmec-Rio. “Em crimes de colarinho branco,” ele acrescenta, “a pena de prisão é dificilmente mais do que poucos anos, e pode ser convertida em serviço comunitário.”, conclui o artigo do New York Times.

Fonte: Jornal do Brasil 

Photo: G1

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Luciana Tamburini: “Dizer que o juiz não é Deus é um fato, não desacato” – Em depoimento a ÉPOCA, a ex-agente de trânsito que foi condenada após parar um juiz na blitz da Lei Seca diz que fez apenas seu trabalho: “Isso deveria ser normal”

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“Ele (o juiz) tinha falado para o tenente da operação Lei Seca me prender. Eu falei: ‘O senhor vai obedecer uma ordem manifestamente ilegal?’. Eu sempre ouvi essa frase do meu pai, José Henrique. Ele é militar, assim como meu avô, e desde pequena eu tive muito senso de moralidade e humanidade. A gente respeita quem respeita a gente.

Na infância vi meu pai tendo problemas por ser correto. Ele sempre falava pra mim e para minha irmã, Tatiana, que apesar de qualquer coisa, a gente tinha que fazer o que era certo. Meu pai sempre reclamou muito porque, no militarismo, eles mandam prender se você não acata uma ordem. E meu pai vivia desacatando ordem, dizendo que ‘ordem manifestamente ilegal a gente não cumpre’. Sempre escutei isso e foi assim que agi naquela blitz de fevereiro de 2011 .

Passava da meia-noite e a PM parou o carro sem placa, eu nem estava lá no momento da abordagem. O juiz (João Carlos de Souza Corrêa) se identificou para os policiais, querendo ser liberado. O tenente ficou conversando com ele, enquanto o coordenador da operação, da Segov (Secretaria de Governo do Rio de Janeiro), me chamou de canto: ‘Acho que a gente vai ter um probleminha ali porque o cidadão parou, diz que é juiz e quer ser liberado’.

Quando ele veio conversar comigo e eu expliquei os motivos da autuação, ele disse que eu estava sendo irônica e, por ser juiz, poderia me dar voz de prisão. Pediu que o tenente me prendesse, depois ligou para um delegado e, mais tarde, para policiais de fora da blitz. A viatura chegou e os PMs estavam com algemas em mãos. Eu disse que ninguém encostaria em mim e, na discussão, falei que o juiz não era Deus. Aí que fomos parar na delegacia. Medo todo mundo tem. Além dele ser magistrado, a mulher dele na época é influente, é ex-deputada. Mas não é como se eu tivesse mentido: dizer que alguém não é Deus é um fato, não é desacato.

Episódios como este são comuns com todo o tipo de gente, qualquer profissão. Eu estava acostumada, a gente sabia lidar com isso. É chato se acostumar com isso, mas é uma realidade.

Tenho 34 anos e eu nunca deixei passar uma carteirada. Eu não acho justo uma pessoa mais humilde, que para na blitz, está ali atrasada e só tem aquele carro que ela leva tomate pra feira. Você vê o choro e o desespero. Isso dói, ninguém faz isso feliz. Agora, se eu levava o carro dessa pessoa, por que eu não vou levar o carro de outros importantes?

Nasci em Canoas, no Rio Grande do Sul. Mas sempre morei no Rio de Janeiro. Sempre fui atleta e, nos treinos, aprendi a ter muita disciplina. Meus treinadores eram super éticos. A gente ficava revoltado: ‘ah, o adversário tá roubando’. Ele dizia: ‘você não vai fazer isso, você não pode fazer igual. Você vai ganhar limpo’. Eu sempre convivi com isso.

Nunca vi, em meus turnos, serem liberados com carteirada. Acho que nenhum dos meus colegas ali da fiscalização faria. Como nunca aconteceu comigo, eu não sei qual seria a minha reação. Lógico que o desapontamento iria existir.

A gente tem que se conscientizar que, principalmente no trânsito, não tem como carteirar. O trânsito é igual para todo mundo, não vai escolher vítima. O cara tá ali bêbado, acha que pode dirigir, sai, mata um terceiro que não tem nada a ver com isso. As pessoas têm que ter a consciência disso, não é só a vida delas, é a dos outros também. Pode até não estar preocupada com a delas, mas se preocupe com a dos outros.

Esse episódio pode surgir como uma melhoria para a sociedade no futuro. Espero que agora as autoridades comecem a repensar em dar uma carteirada, em dizer que eu sou isso, ou sou aquilo. A gente já tem mais consciência, a informação chega rápido, a população sabe o que é legal e o que não é.

Espero que haja uma mudança, porque fica muito feio pra eles. Uma pessoa que mancha o nome da magistratura. Se o judiciário ficar manchado e aí? Em quem a gente vai acreditar? É a justiça do nosso país. Hoje estudo Direito e deixei o Detran para fazer carreira na Polícia Federal, que era meu objetivo principal.

Eu não fiz nada de extraordinário, fiz só o meu trabalho direito, o que deveria ser normal. A Flávia (Penido) teve uma iniciativa ótima, muito mais criativa que a minha, criando a vaquinha online para pagar minha indenização (Até sexta-feira, já havia arrecadado mais de R$ 20 mil).

Ela ajudou uma pessoa que nunca viu na vida, que ela não conhece, que ela não sabe quem é. Entrei com recurso e pretendemos doar esse dinheiro para vítimas do trânsito que não tiveram oportunidade de receber uma indenização, que precisam de cadeira de rodas, de muleta, que seja.

Fonte: Revista Época

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